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Exemplo que vem do Alemão

Rio - Há dez anos, durante uma pelada com os amigos no Morro do Adeus, uma bala perdida mudou a vida de Raphael Espindola. Vítima da guerra do tráfico, com o braço esquerdo perfurado pelo tiro de pistola, o menino, então com 13 anos, relutou em aceitar o conselho da psicóloga com quem se tratava de síndrome do pânico, mas aceitou fazer muay thai. Nos dias 10 e 11 deste mês, Raphael representará o Brasil no Campeonato Mundial do esporte que acontecerá em Buenos Aires — se conseguir dinheiro para pagar os custos com estadia e alimentação. “Meus alunos fizeram uma rifa, e já consegui custear a passagem”, conta o faixa-preta, voluntário no Caic Theophilo de Souza Pinto, onde ensina a arte marcial a 130 crianças. O drama do jovem não passa em branco no Complexo do Alemão. Seus amigos estão divulgando a história e acreditam que conseguirão o apoio de alguma maneira.
Recicla, Mineira 
Com média de 2 t de PETs recolhida para reciclagem nos morros da Mineira e São Carlos, Paulo Reciclador, o Cegueta, agora também coleta vidro. “Assim a gente economiza na natureza, pois vidro precisa de areia”, diz. Cegueta lançou campanha na comunidade, com ajuda da Associação de Moradores. A cada 20 PETs entregues, ele dá um produto de limpeza.
Menos voluntários 
A onda de violência no Alemão começa a atingir as ONGs que atuam na favela. Lúcia Maria, da Associação Mulheres de Atitude, que trabalha com orientação, formação e capacitação para as mulheres do complexo, perdeu uma de suas voluntárias. A alegação é a de que, por conta dos conflitos entre policiais e bandidos, a situação ficou perigosa demais. 
Borel na Copa 
A Jocum (Jovens com Uma Missão), no Borel desde 1990, não vai deixar a Copa passar em branco. Espalhada pelos quatro continentes, preparou ações unindo torcedores de vários países para cobrar atenção a problemas como o tráfico humano. Entre outras ações será feito um flash mob dia 14 de junho, em Copacabana, e um abraçaço no Maracanã, dia 21.
Maré inflacionada
A ocupação da Maré pelo Exército e a expectativa de chegada da UPP, alvoroçaram o mercado imobiliário local. De acordo com o jornal ‘Maré de Notícias’, os preços dos imóveis no Complexo dispararam. Na Nova Holanda, por exemplo, um quitinete com laje custa R$ 60 mil. Há até uma casa sendo vendida por R$ 160 mil na Vila do João — bairro mais valorizado na favela.
Morro dos Prazeres vira peça teatral
A história do Morro dos Prazeres, em Santa Teresa, virou peça de teatro. Nos dois próximos finais de semana a comunidade vai se ver na peça ‘Salve os Prazeres’, dirigida por Lucas Weglinski. Cris dos Prazeres, o coletivo Black Santa (que produz festas charme na favela), Dona Maizé e outros personagens que fazem a diferença estarão retratados na encenação, que faz referências ao teatro grego, música e poesia. Ao término do espetáculo, atores e comunidade se reúnem na quadra para um show de música inspirado na favela.
AGENDA
VIDIGAL/CHÁCARA 
As meninas do Soccer Girls, time de futebol feminino formado por moradoras de comunidades, treinam hoje na Chácara, às 9h. Interessadas podem se apresentar na hora.
LEITURA NO RIO COMPRIDO 
O projeto Mais Leitura leva seu estande para a faculdade UniCarioca do Rio Comprido de segunda a sexta-feira. Avenida Paulo de Frontin 568. Com livros a partir de R$ 2.
ESTAÇÕES DO ALEMÃO 
Hoje o projeto Estações Culturais acontece nas estações Baiana e Itararé do Teleférico do Alemão, a partir das 10h, com oficina de artesanato e cinema com pipoca. Grátis.
TERRITÓRIOS EM COPA
A sala Baden Powell recebe amanhã o projeto Ritmos e Territórios, às 17h, com Carlos Dafé. Ingressos a partir de R$ 10. Av. Nossa Senhora de Copacabana 360, Copacabana.
FALA VIDIGAL 
Terça-feira, o coletivo Fala Vidigal realiza o terceiro debate sobre as mudanças na favela por conta de sua valorização após a instalação da UPP. Desta vez o encontro será para os novos empreendedores explicarem o que querem com seus negócios. Às 18h, na entrada da favela.